• 07 jul 2010
  • Postado por geninho

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No mural do colégio da minha filha encontrei um cartaz escrito por uma mãe, avisando que estava vendendo tudo o que ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos.

O cartaz dava o endereço do bazar e o horário de atendimento. 
Uma outra mãe, ao meu lado, comentou:
- Que coisa triste ter que vender tudo que se tem.
- Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.

Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes. 
O resto vendi tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa.

Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém aparecesse. Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi. 
Às vezes o interfone tocava às 11 da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante. Eu convidava para subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto. Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugigangas. 
Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar, que a cada dia ficava mais nu, mais sem alma.

No penúltimo dia, ficamos só com o colchão no chão, a geladeira e a tevê. No último, só com o colchão, que o zelador comprou e, compreensivo, topou esperar a gente ir embora antes de buscar. Ganhou de brinde os travesseiros..

Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material. 
Nunca mais me apeguei a nada que não tivesse valor afetivo. 
Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar. 

Hoje me desfaço com facilidade de objetos, enquanto que se torna cada vez mais difícil me afastar de pessoas que são ou foram importantes, não importa o tempo que estiveram presentes na minha vida…
Desejo para essa mulher que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile. Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época tinha 2 anos de idade. As roupas já estavam guardadas nas malas. Fazia muito frio. Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã, já que não tínhamos nem uma xícara em casa.

Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as emoções todas: nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde. Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza.

… só possuímos na vida o que dela pudermos levar ao partir.

Agradecimentos,

Autor(a): Marta Medeiros

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  • Postado por geninho

Quando eu era criança ouvi dizer que alguém tinha vendido a  própria alma e que em troca recebeu dinheiro.

Eu não conhecia bem esta pessoa e somente depois de adulto entendi e conheci outras pessoas que tinham cometido o mesmo erro.

Uma delas era uma influente pessoa da sociedade. Chegava em casa tarde e estressada, nunca tinha tempo para ela mesma, as pessoas entravam em contato pelo interesse comercial, ela não conseguia ter amigos de verdade, não era sincera com ela mesma e não podia mostrar quem era aos outros porque seu trabalho não permitia. Ela não chorava porque precisava ser forte, recebia desaforos no trabalho, engolia muitos sapos, tinha agenda lotada, frequentava ambientes que não desejava e precisava participar de assuntos desisteressantes com pessoas que só pensavam em poder e dinheiro.

Ela não tinha tempo livre e quando tinha ocupava com compromissos, sentia-se cansada, alimentava-se mal e aos finais de semana quando começava relaxar chegava hora de trabalhar de novo.

Perguntei o que valia a pena nesta atividade tão estressante e ela me respondeu que era o dinheiro que ganhava.

Esta pessoa vendeu sua alma ao escolher um trabalho onde não conseguia ser feliz. Tornou-se escrava da sua própria escolha.

Pense bem o quanto pode lhe custar um trabalho escolhido apenas em nome do dinheiro que se ganha.

Não é apenas a sua alma que está em jogo, é a sua vida.

Pense, mude quantas vezes forem necessárias.

É possível ser feliz no trabalho.

Sempre depende da sua coragem e das prioridades que estabelece.

Sempre é tempo de realizar novas escolhas.

Faça as suas.

Geninho Goes